
Thomas Hobbes (1588-1679) filósofo inglês. Expoente da teoria do contrato social.
Hobbes nasceu prematuramente quando sua mãe ouviu que a Invencível Armada estaria invadindo a Inglaterra. Seu pai era um ministro anglicano que ocupava-se em jogatinas até desaparecer após brigar com outro clérigo no quintal de sua igreja. Pobre, Hobbes foi educado por um tio que o enviou a Oxford. Hobbes se tornou tutor privado de um aristocrata depois de sua graduação, viajando pela Europa com seu influente pupilo e frequentando as antessalas do poder. Por um tempo, Hobbes ensinou matemática ao jovem futuro rei Charles II e foi secretário de Francis Bacon.
Em uma época turbulenta de concorrência entre o parlamento e o poder absolutista real, fermentado por disputas religiosas entre os puritanos, católicos e episcopalianos na Igreja da Inglaterra, Hobbes alinhou-se com o lado perdedor: os realistas. Exilado na Europa continental, Hobbes encontrou-se com outros pensadores da época e começou a publicar seus escritos. Teve uma cordial relação com Descartes, com quem se encontrou em 1648, mas não diviam muito pensamentos: Hobbes achava que Descartes deveria focar à matemática e não à filosofia.
Ainda no Continente Hobbes encontrou-se com Galileo em 1634. Esse encontro deixou influência em Hobbes em seu anti-aristotelismo, mecanicismo e empiricismo que deveriam ser aplicados em sua filosofia, principalmente em seu pensamento político. Todavia, Hobbes desdenhou o experimentalismo de Galileo, Francis Bacon e da Royal Society
Ocupado com a filosofia da mente e linguagem, Hobbes era um nominalista na questão dos universais e buscar definições precisas era crucial para ele, tanto que algumas partes de seus escritos assemelham a dicionários. Também Hobbes era um materialista, crendo que toda moção seria causada por algum corpo. Razão era mera computação e não algo metafisico, a imaginação era mera iteração de fadante memória. Até Deus teria um corpo tangível, valendo suspeitas de heresias e ateísmo – ateísmo então não significava negar a existência de Deus, mas rejeitar os atributos do Deus da ortodoxia.
Hobbes aceitava a autoridade bíblica baseado em sua revelação direta e milagres, mas como milagres cessaram, restava somente a interpretação dos textos com autoritativos. Hobbes, protestante, rejeitava a legitimidade de uma única autoridade como intérprete oficial da vontade divina. A falta de autoridade requeria a existência da intervenção do estado sobre a religião e impossibilidade de usar a Bíblia como lei.
Hobbes também rejeitou causas sobrenaturais para fenômenos naturais, qualquer ação teria origem em algum movimento corporal na realidade empírica. A ignorância das causas levava a superstição religiosa. As massas londrinas não deram muito crédito a Hobbes quando a cidade ardeu em chamas em 1666 e culpavam a ira divina, consequentemente os escritos de Hobbes acabaram queimados em sua própria faculdade em Oxford.
Politicamente Hobbes distingue entre a pessoa e o ofício. Enquanto teóricos anteriores, como Macchiavelli, discutia as virtudes e deveres dos príncipes – que governavam pelo mero fato de sua pessoa ser o príncipe, como no dizer de Louis XIV “o estado sou eu” – Hobbes desafiou tal conceito dizendo que o príncipe poderia ser legitimamente trocado. Entre as obrigações do soberano Hobbes antecipa o estado bem estar social, dizendo que os indigentes não deveriam viver de esmolas, mas serem amparados pelo estado. Imposto sobre consumo visando nivelamento entre ricos e pobres. Hobbes distingue entre boas e más leis e ao invés de considerar lei como comando, arguia pelo positivismo legal, a lei é o que o soberano diz ser lei.
O primeiro trabalho publicado de Hobbes fora uma tradução de Tucídites e os seus últimos as traduções de Homero. Seus escritos filosóficos são sistemáticos e em uma trilogia – De Cive (1642), De Corpore (1655), De Homine (1658)– Hobbes se ocupou do homem como ser biológico, psicológico ou filosofia moral como se dizia na época, e social. Sua obra máxima foi o Leviatã, dedicada ao exame politico, social e religioso, foi publicada em 1651 logo depois de acabar a Guerra Civil Inglesa.

O Leviatã se tornaria sua obra mais influencial. Seu título completo era O Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um estado Eclesiástico e Civil e inspirou-se em um mostro descrito no Livro de Jó. O frontispício da primeira edição sumariza bem seu conteúdo. Um gigante composto por pessoas, com uma cabeça coroada segurando a espada e um báculo episcopal. Um dístico latino de Jó 41:24 “Não há poder sobre a Terra que possa comparar com ele”. Somente a face do gigante é visível. Um paralelo de figuras estão nas margens inferiores: castelo/igreja, coroa/mitra, canhão/excomunhão, armas/lógica, campo de batalha/tribunal eclesiástico. O livro divide-se em quatro partes: Sobre o Homem, Sobre a Comunidade, Sobre a Comunidade Cristã, Sobre o Reino das Trevas. Há capítulos que variam de tamanhos e de gênero, desde postulados e definições até argumentos teológicos.
Hobbes via o ser humano dotado de apetites, o que antecede teorias da economia clássica, utilitarianismo, psicanálise e escolha racional. Todos são igualmente dotados de poder para satisfazer esses apetites – igualitarismo que divergia da concepção hierárquia da sociedade da época, onde subalternos naturalmente teriam menos poder. Porém Hobbes não é nenhum otimista quanto a natureza humana. Em sua ordem natural o ser humano é mal e na busca de satisfazer seus apetites moveria uma guerra de todos contra todos – bellum omnium contra omnes.
A resposta a esse conflito generalizado seria um contrato social. Os indivíduos renuniciariam seus direitos a um soberano, embora houvesse direitos inalienáveis. Ao apresentar a legitimação do poder do estado como proviniente da renúncia de seus constituíntes, Hobbes rejeitou a doutrina do direito divino do soberanos como apresentada por Jean Bodin e esposada na Inglaterra por Robert Filmer em seu Patriarcha or the Natural Power of Kings Defended Against the Unnatural Liberty of People (1680). Todavia, a noção de soberania de Hobbes não era necessariamente um rei. Ao invés de jurar fidelidade a uma pessoa específica, como os realistas seguidores de Charles I, mas ao soberano capaz de mediar a paz e garantir o commonwealth – a comunidade política voltado para um bem comum. O soberano teria que ser absoluto, sem dever prestar contar ou limite de poder, mas não necessariamente um rei, o parlamento poderia ocupar esta função. As críticas atuais a Hobbes seriam não estabelecer meios de prestação de contas, não prever abusos de poder ou incluir o povo como soberano.
O cartunista Bill Waterson nomeou o tigre de pelúcia Hobbes do menino Calvin baseado no filósofo. O tigre, como o pensador, possuem um pessismo quanto a moralidade humana, são apegados a uma razão empírica e menos abstrata.
Um Hobbes pouco comentado: religião e o poder eclesiástico
Hobbes é lido e comentado como filósofo político e social, mas foi um pensador religioso de mérito. Interessante notar que o absolutista Hobbes defende atitudes mais democráticas na Igreja que no Estado. Maior parte do Leviatã foi dedicada a assuntos religiosos e visava limitar o poder das facções religiosas na esfera política inglesa, argumetando o poder do estado sobre a religião. Sem ocupar-se sobre sua teologia um tanto heterodoxa, seus pontos sobre a organização da Igreja são interessantes, como a razão da corrupção de instituições religiosas, a eleição dos ministros religiosos, a jurisdição da Igreja somente sobre seus fieis e a oferta voluntária invés de impostos eclesiásticos ou dízimos.
Traduzi alguns excertos do Leviatã sobre esses temas.
Sobre a revelação sobrenatural para guiar as relações humanas
Quando Deus fala ao homem, deve ser imediato ou pela mediação de um outro homem a quem Ele havia falado anteriormente. Como Deus fala com um homem (…) é difícil, senão impossível de saber. Porque, se um homem fingir para mim que Deus lhe falou direto sobrenaturalmente, e eu duvidar, eu não posso facilmente aceitar qualquer argumento que ele possa fazer para obrigar-me a acreditar nisso. Leviatã, parte 2, capítulo 32.
O povo retém o direito de interpretar as Escrituras
Quando alguma dificuldade surgiu, os Apóstolos e os anciãos da Igreja, reunia e determinava o que deveria ser pregado e ensinado, e como eles deveriam interpretar as Escrituras ao povo, mas não tirava das pessoas a liberdade de ler e interpretá-los por si mesmos. Os Apóstolos enviaram diversas cartas às Igrejas e outros escritos para sua instrução; que teriam sido em vão se não tivessem permitido a liberdade de interpretar, ou seja, considerar o significado delas. E como era no tempo dos Apóstolos, isso deve ser até agora em que há pastores que possam autorizar intérpretes cuja interpretação possa ser entendida, mas isso não pode continuar até os reis se tornaram pastores, pastores reis. Leviatã, parte 3, capítulo 42
Os ministros religiosos tem autoridade somente para pregar e não para governar
Cristo enviou os seus Apóstolos e os seus setenta discípulos com autoridade para pregar, ele não enviou aos que criam. E mandou-os para os incrédulos: “eu vos envio”, diz ele, “como ovelhas entre lobos”(Mateus, 10:16); não como ovelhas para outras ovelhas.
Por último, os pontos de sua comissão, uma vez que estão expressamente estabelecidas no evangelho, contêm nenhum deles qualquer autoridade sobre a congregação.
Primeiro temos que os doze apóstolos foram enviados “às ovelhas perdidas da casa de Israel”, e ordenou a pregar “que o reino de Deus estava próximo.” (Mateus 10:6-7) Agora pregação, no original é aquele ato que um pregoeiro, arauto, funcionário que serve para fazer publicamente na proclamação de um rei. Mas um pregoeiro não tem direito de comandar qualquer homem. E setenta discípulos são enviados como “obreiros não como senhores da lavoura”; (Lucas 10:2) e são convidados a se dizer: “O reino de Deus é chegado a vós”; e pelo reino aqui se entende, não o reino da graça, mas o reino da glória, porque são convidados para anunciar às cidades que não recebê-los como uma ameaça, que será mais tolerável naquele dia para Sodoma do que para tal cidade. E nosso Salvador diz a seus discípulos, que busquem prioridade de lugar, seu ofício era ministro, como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir.(Mateus 20:28) Pregadores, portanto, não magistrados, mas o poder ministerial: “Não vos chameis mestres, “diz o nosso Salvador”, porque um só é o vosso Mestre, Cristo “. Leviatã, parte 3, capítulo 42
Os ministros só tem poder persuasivo e o exercício da disciplina por excomunhão só tem jurisdição sobre os membros de uma igreja
Mais uma vez, o cargo de ministros de Cristo neste mundo é fazer com que os homens creiam e tenham fé em Cristo: mas a fé não tem relação, nem dependência alguma de compulsão ou mandamento, mas somente mediante a certeza, ou probabilidade de argumentos tirados da razão, ou de algo que os homens já creem. Portanto, os ministros de Cristo neste mundo não têm poder por esse título para punir alguém por não acreditar ou contradizer o que eles dizem: eles têm, eu digo, não poder por que o título de ministros de Cristo para punir tais, mas se eles têm poder civil soberano, por instituição política, então eles podem de fato legalmente punir qualquer contradição com as suas leis que seja: e São Paul, de si mesmo e de outros pregadores do Evangelho, diz em palavras expressas, “Nós não temos domínio sobre a vossa fé , mas porque somos cooperadores de vossa alegria “. (II Corintios 1:24)
(…)
Para que um homem seja sujeito a excomunhão de haver muitas condições necessárias; como o primeiro, que ser um membro de alguma comunidade, isto é de alguma assembleia legal, isto é de alguma igreja cristã que tenha poder de julgar a causa pela qual ele deve ser excomungado. Porque onde não há comunidade, não há como haver excomunhão, nem onde não há poder de julgar, não pode haver qualquer poder de dar a sentença.
A partir daqui segue que uma Igreja não pode ser excomungada por outra Igreja, porque ou elas têm igual poder de excomungar uns aos outros, em que a excomunhão caso não é disciplina, nem um ato de autoridade, mas cisma e dissolução de caridade; ou um é tão subordinado ao outro como que ambos têm, mas uma só voz, e então eles ser, mas uma Igreja, e a parte excomungada não é mais uma Igreja, mas um número dissoluto de pessoas.
(…)
Em suma, o poder da excomunhão não pode ser estendido além do que até o fim para o qual os apóstolos e pastores da Igreja têm a sua comissão de nosso Salvador, que não é a regra de comando e de coerção, mas pelo ensino e pela direção dos homens na caminho da salvação no mundo vindouro. Leviatã, parte 3, capítulo 42
Os ministros devem ser eleitos pela Igreja
Além destas posições magisteriais na Igreja, como apóstolos, bispos, anciãos, pastores e doutores cujo chamados fora para proclamar Cristo aos judeus e infiéis e guiar e ensinar aqueles que criam, não vemos no Novo Testamento nenhum outro [ofício]. Porque pelo nome evangelistas e profetas não significava ofício algum, mas vários dons que vários homens eram utéis à Igreja. (…) Pois nem esses dons, nem os dons de línguas, nem o dom de expulsar demônios, nem de curar outras doenças, nem qualquer outra coisa fez um oficial, salvo apenas pelo devido chamado e eleição para o cargo de ensino.
Como os apóstolos Matias, Paulo e Barnabé não foram feitos tais por nosso Salvador, mas foram eleitos pela Igreja, isto é, pela assembléia dos cristãos, ou seja, Matias pela igreja de Jerusalém, e Paulo e Barnabé pela igreja de Antioquia, assim também foram os presbíteros e pastores de outras cidades, eleito pelas igrejas dessas cidades. Para a prova do qual, vamos considerar, em primeiro lugar, como São Paulo procedeu a ordenação de presbíteros nas cidades onde ele havia se convertido homens à fé cristã, logo depois que ele e Barnabé haviam recebido seu apostolado. Lemos que “eles ordenavam anciãos em cada igreja” (Atos 14:23); que à primeira vista podem ser tomadas para um argumento de que eles próprios escolheram e deu-lhes a sua autoridade, mas se considerarmos o texto original é manifesto que eles foram autorizados e escolhida pela assembléia dos cristãos de cada cidade. As palavras existem cheirotonesantes autois presbuterous kat ekklesian, isto é, “quando os tinha ordenado anciãos por levantar as mãos em cada congregação.” Agora é bem conhecido que em todas essas cidades a maneira de escolher os magistrados e oficiais era de pluralidade de sufrágios e porque a maneira comum de distinguir os votos favoráveis dos negativos eralevantando as mãos. para ordenar um oficial qualquer das cidades não era mais, mas para trazer o povo para eleger-los por pluralidade de votos. Seja pela pluralidade de mãos elevadas, ou por pluralidade de vozes, ou pluralidade de bolas, ou grão ou pedrinhas, dos quais cada homem lançava em um vaso marcado para o afirmativo ou negativo, pois diversas cidades tinham costumes diferentes no mesmo ponto. Foi, portanto, a assembléia que elegeu seus próprios anciãos: os apóstolos foram presidentes da assembleia apenas para chamá-los juntos para tal eleição, e pronunciar-los eleito, e dar-lhes a bênção, que agora é chamado de consagração. E por isso os que estavam presidentes das assembléias, como na ausência dos Apóstolos foram os anciãos, foram chamados proestotes e em latim antistites; palavras que significam a pessoa principal da assembleia, cujo ofício era contar o número de votos, e a declarar, assim, quem foi eleito, e onde os votos eram empatado, decidir o assunto em questão, adicionando seu próprio voto de o ofício como um presidente de um conselho. E, porque todas as igrejas tinham os seus presbíteros ordenados da mesma maneira, onde a palavra é constituir, como ina katasteses kata polin presbuterous, “Por esta causa te deixei em Creta, para que constituisse anciãos em cada cidade”, (Tito 1:15) nós estão a entender a mesma coisa, ou seja, que ele deve chamar os fiéis juntos, e ordená-los presbíteros pela pluralidade dos sufrágios. Teria sido uma coisa estranha, se em uma cidade onde os homens talvez nunca tinha visto magistrado escolhido de qualquer outra forma do que por uma assembleia, os da cidade, tornando-se cristãos, devem tanto quanto ter pensado em qualquer outra forma de eleição de seus mestres e guias, isto é, de seus presbíteros (também chamados bispos), do que este da pluralidade dos sufrágios, intimado por São Paulo na palavra cheirotonesantes.Atos 14:23. Nem havia outra escolha de bispos, antes de os imperadores achou necessário para regular em ordem à manutenção da paz entre eles, mas pelas assembléias dos cristãos em todas as cidades. Leviatã, parte 3, capítulo 42
De acordo com Hobbes o dízimo, taxa obrigatória de 10% das rendas, fora aplicável somente no perído da religião mosaica, quando havia uma casta sacerdotal que não podia ter outras rendas ou herdades.
Mas aqui alguns podem perguntar se o pastor é então obrigados a viver sobre contribuição voluntária, como esmolas…que os pastores da Igreja sejam mantidos por seus rebanhos; mas não que os pastores determinem a quantidade ou o tipo do seu próprio subsídio, e ser, por assim dizer, seus próprios determinantes. O subsídio deve ser determinados, portanto pela gratidão e liberalidade de cada pessoa em particular do seu rebanho ou por toda a congregação.
Até agora foi demonstrado quem os pastores da Igreja são, quais são os pontos de sua comissão, como que eles estavam a pregar, ensinar, batizar, ser presidentes em suas várias congregações, o que é censura eclesiástica, quem elege os pastores da Igreja (…), o que seria a sua devida renda de seus bens próprios e seu próprio trabalho, as contribuições voluntárias dos devotos e grato cristãos. Leviatã, parte 3, capítulo 42
Hobbes dedica a parte 4 de O Levitã sobre o Reino das Trevas e enumera quatro causas desta escuridão. A primeira é pela extinção da luz das Escrituras em seus erros de interpretação, a segunda é superstição em crença em demônios que levou a idolatria de relíquias, o terceiro era misturar as Escrituras com a filosofia pagã, especialmente a de Aristótoles – obscurantismo que levou a condenação de Galileo, quarto pela mistura com crenças obscuras. O Reino das Trevas existe porque há gente que se beneficia dele: ministros e igrejas corruptas.
Leia mais:
- O Leviatã (em Inglês)
- http://hobbestoday.blogspot.com/ blog em inglês sobre a aplicação contemporâneo do pensamento de Hobbes
- Martinich, A.P. 2003. The two gods of Leviathan: Thomas Hobbes on religion and politics
- Milner, B. 1988. Hobbes: On Religion
- Sherlock, R.1982. The Theology of Leviathan: Hobbes on Religion